domingo, 15 de setembro de 2013

Debaixo d'água

cada palavra é uma facada.

abrir a boca é um rasgo e escrever um corte.
cada parágrafo é um recuo.
mas dessa distância só pode dizer você.
eu preciso arrancar tufos de cabelo para falar das mais simples dores de cabeça.

se uma certeza surge, meu corpo inteiro vive e meu coração rapidamente a amarra junto a ele. soltá-la - presenteá-la! - seria perder de vez toda a sua poesia!

a cada passo lento ela pode aparecer, e quando meu pé se afasta, o seu, pronto, vem.
nisso, me perco no ritmo e tropeço envergonhada.
e aí é como se toda a música me desencantasse...
e todo o silêncio do mundo quisesse me penetrar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário